quarta-feira, 23 de maio de 2012

ATIVIDADE DE LITERATURA SOBRE O QUINHEITISMO NO BRASIL ABORDANDO OS PRINCIPAIS TEXTOS E ESCRITORES DA ÉPOCA.


E.E.E.F.M.EUCLÍDES MOUZINHO DOS SANTOS
PROF.: JEAN RODRIGUES
LÍNGUA PORTUGUESA          1º ANO


1.     Leia o fragmento de texto abaixo para responder as questões:
Senhor:
A partida de Belém, como Vossa Alteza sabe, foi segunda-feira, 9 de março. Sábado, 14 do dito mês,
entre as oito e nove horas, nos achamos entre as Canárias, mais perto da Grã- Canária, e ali andamos todo aquele dia em calma, à vista delas, obra de três a quatro léguas. E domingo, 22 do dito mês, às dez horas, pouco mais ou menos, houvemos vista das ilhas de Cabo Verde, ou melhor, da ilha de S. Nicolau, segundo o dito de Pero Escolar, piloto. [...]
E assim seguimos nosso caminho, por este mar, de longo, até que, terça-feira das Oitavas de Páscoa, que foram 21 dias de abril, estando da dita Ilha obra de 660 ou 670 léguas, segundo os pilotos diziam, topamos alguns sinais de terra, os quais eram muita quantidade de ervas compridas, a que os mareantes chamam botelho, assim como outras a que dão o nome de rabo-de-asno. E quarta-feira seguinte, pela manhã, topamos aves a que chamam fura-buxos.
Neste dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra! Primeiramente dum grande monte, mui alto e redondo; e doutras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã, com grandes arvoredos: ao monte alto o capitão pôs nome – o Monte Pascoal e à terra – a Terra da Vera Cruz.[...]
Eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Nas mãos traziam arcos com suas setas. Vinham todos rijos sobre o batel; e Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos. E eles os pousaram. Ali não pôde deles haver fala, nem entendimento de proveito, por o mar quebrar na costa. Somente deu-lhes um barrete vermelho e uma carapuça de linho que levava na cabeça e um sombreiro preto. Um deles deu-lhe um sombreiro de penas de ave, compridas, com uma copazinha de penas vermelhas e pardas como de papagaio; e outro deu-lhe um ramal grande de continhas brancas, miúdas, que querem parecer de aljaveira, as quais peças creio que o Capitão manda a Vossa Alteza, e com isto se volveu às naus por ser tarde e não poder haver deles mais fala, por causa do mar. A feição deles é serem pardos, maneira de avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem-feitos. Andam nus, sem nenhuma cobertura. Nem estimam de cobrir ou de mostrar suas vergonhas; e nisso têm tanta inocência como em mostrar o rosto. Ambos traziam os beiços de baixo furados e metidos neles seus ossos brancos e verdadeiros, de comprimento duma mão travessa, da grossura dum fuso de algodão, agudos na ponta como um furador. Os cabelos seus são corredios. E andavam tosquiados, de tosquia alta, mais que de sobrepente, de boa grandura e rapados até por cima das orelhas. E um deles trazia por baixo da solapa, de fonte a fonte para detrás, uma espécie de cabeleira de penas de ave amarelas, que seria do comprimento de um coto, mui basta e mui cerrada, que lhe cobria o toutiço e as orelhas. E andava pegada aos cabelos, pena e pena, com uma confeição branda como cera (mas não o era), de maneira que a cabeleira ficava mui redonda e mui basta, e mui igual, e não fazia míngua mais lavagem para a levantar. [...] Porém o melhor fruto, que nela se pode fazer, me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar. E que aí não houvesse mais que ter aqui esta pousada para esta navegação de Calicute, bastaria. Quando mais disposição para se nela cumprir e fazer o que Vossa Alteza tanto deseja, a saber, acrescentamento da nossa santa fé.

a)    Que texto é esse que acabamos de ler?
b)    Quem o escreveu? E Para quem o escreveu?
c)     Qual o objetivo deste texto?
d)    Quando os navegantes partiram e quando chegaram a nova terra?
e)    Quais foram os sinais que os navegantes encontraram que provavam que eles estavam perto de terra?
f)     Qual o primeiro nome dado à nova terra?
g)    Quem eram os habitantes desta nova terra?
h)    Como os portugueses descrevem esses habitantes?
i)      Na expressão: “Andam nus, sem nenhuma cobertura. Nem estimam de cobrir ou de mostrar suas vergonhas” o que significa a expressão sublinhada?
j)     Você já deve saber o que é um texto literário e suas características e o que é um texto não literário e suas características. Então qual é a sua opinião: esta carta de Pero Vaz de Caminha é ou não é literatura. Explique.
k)    Que recomendação Caminha faz ao Rei no final sua carta?

2.     Quais as duas principais características do Quinheitismo?
3.     Leia o texto abaixo e responda o que se pede:

Quando estes índios tomam alguns contrários, se logo com aquele ímpeto os não matão, levam-nos vivos para suas aldeias (ou sejam portugueses ou quaisquer outros índios seus amigos), e tanto que chegam a suas casas lançam uma corda mui grossa ao pescoço do cativo para que não possa fugir, e arrumam-lhe uma rede em que durma e dão-lhe uma índia moça, a mais formosa e honrada que há na aldeia, para que durma com ele, e também tenha cuidado de o guardar, e não vai para parte que não no acompanhe.
Esta índia tem cargo de lhe dar muito bem de comer e beber; e depois de o terem desta maneira cinco ou seis meses ou o tempo que querem, determinam de o matar; e fazem grandes cerimonias e festas aqueles dias, e aparelhão muitos vinhos para se embebedarem, e fazem-nos da raiz duma erva que se chama “aipim”, a qual fervem primeiro e depois de cozida mastigam-na umas moças virgens espremendo-a nuns potes grandes, e dali a três ou quatro dias o bebe. E o dia que hão de matar este cativo, pela manhã se alguma ribeira está junto da aldeia levam-no a banhar nela com grandes cantares e folias tanto que chegam com ele á aldeia, atam-no pela cinta com quatro cordas cada uma para sua parte e três, quatro índios pegados em cada ponta destas e assim o levam ao meio dum terreiro, e tirão tanto por estas cordas que não se possa bolir para uma parte nem para outra, as mãos deixam soltas porque folgam de o ver defender com elas. Aquele que o há de matar empena-se primeiro com penas de papagaio de muitas cores por todo o corpo: há de ser este matador o mais valente da terra, e mais honrado. Traz na mão uma espada dum pau muito duro e pesado com que costumam de matar, e chega-se ao padecente dizendo-lhe muitas coisas e ameaçando-lhe sua geração que o mesmo há de fazer a seus parentes; e depois de o ter afrontado com muitas palavras injuriosas dá-lhe uma grande pancada na cabeça, e logo da primeira o mata e lhe fazem pedaços. Esta é uma índia velha com um cabaço na mão, e assim como ele cai acode muito de pressa com ele a metê-lo na cabeça para tomar os miolos e o sangue: tudo enfim cozem e assam, e não fica dele coisa que não comam. Isto é mais por vingança e por ódio que por se fartarem. Depois que comem a carne destes contrários ficam nos ódios confirmados e sentem muito esta injúria, e por isso andam sempre a vingar-se uns contra os outros. E se a moça que dormia com o cativo fica prenha, aquela criança, que pare depois de criada, matam-na e comem-na e dizem que aquela menina ou menino era seu contrário verdadeiro por isso estimam muito comer-lhe a carne e vingar-se dele. E porque a mãe sabe o fim que hão de dar a esta criança, muitas vezes quando sente prenhe mata-a dentro da barriga e faz com que morra. E acontece algumas vezes afeiçoar-se tanto a este cativo e tomar-lhe tanto amor que foge com ele para sua terra para livrá-lo da morte. Muitos índios que do mesmo modo se salvarão, ainda que são alguns tão brutos que não querem fugir depois de os terem presos; porque houve algum que estava já no terreno atado para padecer e davam-lhe a vida e não quis senão que o matassem, dizendo que seus parentes o não teriam por valente, e que todos correriam com ele; e daqui vem não estimarem a morte; e quando chega aquela hora não na terem em conta nem mostrarem nenhuma tristeza naquele passo. Finalmente que são estes índios muito desumanos e cruéis, não se movem a nenhuma piedade: vivem como brutos animais sem ordem nem concerto de homens, são muito desonestos e dados á sensualidade e entregam-se aos vícios. Todos comem carne humana e têm-na pela melhor iguaria de quantas pode haver: não de seus amigos com quem eles têm paz se não dos contrários. Tem esta qualidade estes índios que de qualquer coisa que comam por pequena que seja hão de convidar com ela quantos estiverem presentes, só há esta proximidade entre eles.
(Pero de Magalhães Gândavo. Tratado da Terra no Brasil)


a)    Que imagem de índio Gândavo passa para os leitores através do seu relato?
b)    Qual o objetivo deste texto de Gândavo?
c)     O que acontecia primeiramente quando os índios capturavam seus inimigos? Como era o tratamento?
d)    O que acontece com o prisioneiro depois de seis meses de vida “boa” nas mãos do inimigo?
e)    O que acontece se a moça que cuidava do prisioneiro ficasse gestante do mesmo?
f)     Há prisioneiros indígenas que tinham a oportunidade de fugir. Mas por que eles não fugiam?
g)    Qual é a única “boa atitude” que estes índios possuíam em seus corações?
h)    Ao olhar de hoje, podemos dizer que essas atitudes dos índios daquela época era uma monstruosidade contra o próximo, e crueldade. Mas para a época deles, podemos dizer que essas atitudes são “erradas” ou “desumanas”? Por que?

4.     Assinale a única alternativa FALSA em relação ao Quinheitismo no Brasil:
a)    A carta de Caminha é considerada pela história brasileira o primeiro documento escrito no país e sobre o país.
b)    A carta de Caminha é composta por narração, descrição e argumentação.
c)     Pero Vaz de Caminha foi o único português a enviar notícias sobre do Brasil ao rei de Portugal.
d)    Padre José de Anchieta escreveu tanto literatura de caráter informativo como de caráter pedagógico.
e)    Gândavo foi um cronista histórico que escreveu as curiosidades sobre a terra e os costumes indígenas, descrevendo e narrando os hábitos mais chocantes e para o povo português como os rituais antropofágicos dos índios.
5.     Leia o texto abaixo para responder as questões:

A Santa Inês

Não é d’Alentejo
Este vosso trigo,
Mas Jesus amigo
é vosso desejo.

Morro porque vejo
Que este nosso povo
Anda tão faminto
Desse trigo novo.

Santa padeirinha,
Morta com cutelo,
Sem nenhum farelo
É vossa farinha.

Ela é mezinha
Com que sara o povo,
Que, com vossa vinda,
Terá trigo novo.

O pão que amassastes
Dentro em vosso peito,
É o amor perfeito
Com que a Deus amastes.

Deste vos fartastes,
Deste dais ao povo,
Porque deixe o velho
Pelo trigo novo.

Não se vende em praça
Este pão de vida,
Porque é comida
Que se dá de graça.

Ò preciosa massa!
Ó que pão tão novo
Que, com vossa vinda,
Quer Deus dar ao povo!

Ó doce bolo,
Que se chama graça!
Quem sem ele passa
É muito grande tolo.

Homem sem miolo,
Qualquer deste povo,
Que não é faminto
Deste pão tão novo!
(Padre José Anchieta)

a)    Que tipo de texto é esse? Por que?
b)    Este texto apresenta rima? Retire um exemplo do próprio texto.
c)     O que o trigo novo simboliza neste texto?
d)    Por que o eu-lírico diz na segunda estrofe que Morro porque vejo /Que este nosso povo /Anda tão faminto /Desse trigo novo”?
e)    Que duplo sentido pode ser depreendido do uso da palavra “miolo” na última estrofe?
f)     Retire do poema todas as palavras que você não sabe o significado e pesquise no dicionário o que significa a mesma.
g)    Por que Padre Anchieta escrevia poemas com essa temática e declamava para os índios, ou seja, qual a sua intenção com isso?            BONS ESTUDOS!!!!!!!!!!!

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