quarta-feira, 23 de maio de 2012

ATIVIDADE DO ROMANTISMO FAZENDO UMA PONTE COM AS MÚSICAS DE FORRÓ ELETRÔNICO


E.E.E.F.M.EUCLÍDES MOUZINHO DOS SANTOS
PROF.: JEAN RODRIGUES           2º ANO

ATIVIDADE EM CLASSE


Seus olhos        - Gonçalves Dias

Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,
De vivo luzir,
Estrelas incertas, que as águas dormentes
Do mar vão ferir;

Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,
Têm meiga expressão,
Mais doce que a brisa, — mais doce que o nauta
De noite cantando, — mais doce que a flauta
Quebrando a solidão,

Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,
De vivo luzir,
São meigos infantes, gentis, engraçados
Brincando a sorrir.

São meigos infantes, brincando, saltando
Em jogo infantil,
Inquietos, travessos; — causando tormento,
Com beijos nos pagam a dor de um momento,
Com modo gentil.

Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,
Assim é que são;
Às vezes luzindo, serenos, tranquilos,
Às vezes vulcão!

Às vezes, oh! sim, derramam tão fraco,
Tão frouxo brilhar,
Que a mim me parece que o ar lhes falece,
E os olhos tão meigos, que o pranto umedece
Me fazem chorar.

Assim lindo infante, que dorme tranquilo,
Desperta a chorar;
E mudo e sisudo, cismando mil coisas,
Não pensa — a pensar.

Nas almas tão puras da virgem, do infante,
Às vezes do céu
Cai doce harmonia duma Harpa celeste,
Um vago desejo; e a mente se veste
De pranto co'um véu.

Quer sejam saudades, quer sejam desejos
Da pátria melhor;
Eu amo seus olhos que choram em causa
Um pranto sem dor.


Eu amo seus olhos tão negros, tão puros,
De vivo fulgor;
Seus olhos que exprimem tão doce harmonia,
Que falam de amores com tanta poesia,
Com tanto pudor.


Seus olhos tão negros, tão belos, tão Seus olhos.



Sempre ela                  - Gonçalves Dias


Eu amo a doce virgem pensativa,
Em cujo rosto a palidez se pinta,
Como nos céus a matutina estrela!
A dor lhe há desbotado a cor das faces,
E o sorriso que lhe roça os lábios
Murcha ledo sorrir nos lábios doutrem.

Tem um timbre de voz que n'alma ecoa,
Tem expressões d'angélica doçura,
E a mente do que as ouve, se perfuma
De amor profundo e de piedade santa,
E exala eflúvios dum odor suave
De mirra ou de mais grato incenso.

E nessas horas, quando a mente aflita,
De dor oculta remordida, anseia
Desabrochar-se em confidência amiga,
"Neste mundo o que sou? — triste clamava;
"Pérsica envolta em pó, entre ruínas,
"Erma e sozinha a resolver-me em pranto!

"Flor desbotada em hástia já roída,
"De cujo tronco as outras amarelas
"Já rojam sobre o pó, já murchas pendem!
"É sentir e sofrer a minha vida!"
Misericórdia dizia, erguendo os olhos
Aos céus dum claro azul, que lhes sorriam.

Nada o mudo assim por sobre os mares,
E próximo a seu fim desata o canto;
A rosa do Sarão lá se despenha
Nas águas do Jordão: e como a rosa,
Como o cisne, do mar entre os perfumes,
Aos sons duma Harpa interna ela morria!

E como o pastor que avista a linda rosa
Nas águas da corrente, e como o nauta
Que vê, que escuta o cisne ir-se embalado
Sobre as águas do mar, cantando a morte;
Eu também a segui — a rosa, o cisne,
Que lá se foi sumir por clima estranho.

E depois que os meus olhos a perderam,
Como se perde a estrela em céus infindos,
Errei por sobre as ondas do oceano,
Sentei-me à sombra das florestas virgens,
Procurando apagar a imagem dela,
Que tão inteira me ficara n'alma!


Embalde aos céus erguendo os olhos turvos
Meu astro procurei entre os mais astros,
Qu'outrora amiga sina me fadara!
Com brilho embaciado e lua incerta
Nos ares se perdeu antes do ocaso,
Deixando-me sem norte em mar d'angústias.

Mulher Desmantelada

(Forró Dos Plays
Composição: dandara :)

Quem for mulher bate no litro,
quem for mulher levante o litro
e da uma golada, da uma rebolada,
deixa a macharada muito doida vai,
dá outra golada e fica turbinada,
mulher que se garante gosta de beber cachaça,
cachaça, cachaça, cachaça, cachaça, cachaça, cachaça,
ela não quer saber de nada...
Mulher gosta de praia, cerveja bem gelada,
Mulher gosta de farra e de forró,
Mulher gosta de beijo molhado de desejo,
Mulher gosta do bom e do melhor...
Mulher não quer ser motorista de fogão, não!
Mulher não quer ficar em casa de plantão,
Mulher não gosta de sentir-se dominada,
Mulher foi feita pra amar e ser amada,
Mulher adora ir pra night com os plays, ê!
gosta de luxo, de carrão, de BM6,
toda mulher é louca por uma balada,
toda mulher que se garante gosta de beber cachaça,
cachaça, cachaça, cachaça, cachaça, cachaça, cachaça,
ela não quer saber de nada!
cachaça, cachaça, cachaça, cachaça, cachaça, cachaça,
eita mulher desmantelada!


Empurra Whisky nela     - Banda Forró Estourado

Empurra whisky nela
Empurra whisky nela
Empurra whisky nela
Que ela “beba” ela libera

(FALA DO CANTOR: Se a mulher tiver botando banca, faça isso aqui 
ó... )

Empurra whisky nela
Empurra whisky nela
Que ela “beba” ela libera

Essa gatinha dá uma de difícil
Mas  já saquei o seu artifício
Vi ela soltinha, tô desejando ela
Bebendo, farreando, curtindo com sua galera
Ela é gostosa, o seu corpo é sensual
Roupa colada de calcinha e fio dental
Não sei mais o que faço, não paro de pensar nela
Vou chamá-la pra beber e empurrar whisky nela

Empurra whisky nela
Empurra whisky nela
Que ela “beba” ela libera
Autor: Desconhecido

Atividade

1-    A que época e escola literária pertence os dois poemas de Gonçalves Dias?
2-    Quais características do Romantismo brasileiro você percebeu neste dois poemas?
3-    Como o sujeito eu-lírico se refere a sua amada nos dois poemas?
4-    Qual parte do corpo feminino mais chama atenção do sujeito do primeiro poema?
5-    Como ele se refere a essa parte do corpo da mulher?
6-    Que sentido interpretação você pode fazer da estrofe:  

“Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,
Assim é que são;
Às vezes luzindo, serenos, tranquilos,
Às vezes vulcão!”
           
7-    Como o eu-lírico se refere a amada logo na primeira estrofe do segundo poema?
8-    O que acontece com a amada do eu-lírico no segundo poema?
9-    Como o sujeito do poema se sente ao perder sua amada?

10-  Na música “Mulher desmantelada” como a figura da mulher é representada nesta letra?

11- Para a música, o que é preciso para a mulher ser “desmantelada”?
12- Segundo a música, que melhor arma ajuda na “libertação” da mulher?
13-  O que você acha sobre essa maneira que a música propõe para a mulher deixar aquela posição de ser “oprimido”, inferior ao homem?
14- Na segunda música de forró eletrônico, “Empurra Whisky nela”, como a figura feminina é retratada?
15-  Com que objetivo o sujeito da música sugere a alguém embriagar uma mulher com whisky?
16-  Que diferença ou quais diferenças você pode perceber no modo como os poemas do Romantismo e as músicas de forró da atualidade tratam a mulher?


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