quarta-feira, 23 de maio de 2012

GÊNERO TEXTUAL RESUMO E SUGESTÃO DE ATIVIDADE SOBRE O GÊNRO RESUMO


LEIA O TEXTO ABAIXO PARA EM SEGUIDA RESPONDER AS PERGUNTAS

Forró: da origem “Pé-de-serra” ao novo estilo eletrônico

O forró é um gênero musical nascido no Nordeste brasileiro. É comum atribuir a existência de duas eventuais versões etimológicas da origem do termo “forró”. A primeira, menos aceita, situa-o como uma derivação de for all (“para todos”) e estaria associada a festas promovidas a ingleses ligados à construção de estradas de ferro no Nordeste; a segunda atribui a origem a “forrobodó”, expressão para determinadas festas populares na região. É o caso de Silva (2003), ao sugerir uma abordagem para o forró que identifique tanto o aspecto etimológico como o sociocultural. Para o autor, Quando esse termo surgiu, não se referia a um gênero musical ou a uma dança: era o lugar onde as pessoas iam dançar. As pessoas falavam “Vamos pro forró”, assim como falavam “Vamos pro samba” [...]. Sendo for all ou forrobodó a origem do termo, ambas refletem um fundo sociológico comum, isto é, dizem respeito ao universo do merecido lazer após a jornada de trabalho. A palavra e o gênero musical remetem não apenas ao período das construções de ferrovias, mas ainda hoje ao ambiente de lazer nos quais os nordestinos que habitam as metrópoles encontram amigos e matam saudades da terra natal (SILVA, 2003, p.72).
Como afirma Silva (2003), a vinculação do forró a uma espacialidade e a uma temporalidade referentes ao universo dos locais e das horas de lazer é anterior à própria designação do forró como gênero musical. Já o forró tradicional, ou seja, a primeira vertente desse gênero musical, é popularmente chamado forró “pé-de-serra”. Tornou-se um dos gêneros musicais mais representativos da música brasileira. Chegou ao mercado musical nas décadas de 40 e 50 do século passado, através, principalmente, do rádio e do músico Luiz Gonzaga (1912-1989). Sonoramente, o forró pé-de-serra é acompanhado por um trio composto de sanfona, zabumba e triângulo.
O Forró pode ainda ser compreendido como um grande gênero musical que abrange ritmos como baião, xote, xaxado, rojão, coco e outros. A maioria das composições destaca-se por apresentar uma construção ideológica do “Sertão” e do “Sertanejo”, representando o cotidiano do povo nordestino. O repertório gonzagueano alimentava-se principalmente de temáticas regionalistas. Os temas evocavam o cotidiano do sertão nordestino; os temas folclóricos; os tipos humanos do sertão; a saudade da terra natal tão peculiar ao exilado; a natureza, incluindo flora e fauna; o nordeste árido da seca; a religiosidade tradicional católica popular; as tristezas humanas; a sensualidade de forma respeitosa, as alegrias; as festas.
A popularização do ritmo se deu mesmo quando Luiz Gonzaga foi para o Rio de Janeiro e ampliou o forró para a mídia, a qual fez com que o gênero alcançasse a indústria fonográfica, sendo divulgado pelas rádios (SILVA, 2003, p. 114). Como vem acontecendo hoje em todo o Brasil com o forró eletrônico, o tímido pé-de-serra foi conquistando outros centros e grandes públicos, deixando de ser apenas uma música para migrantes nordestinos ou pessoas de classe social inferior.
Segundo Silva (2003, p.113), após as mortes de líderes forrozeiros tradicionais como Lindu, do Trio Nordestino (1982), e Luiz Gonzaga (1989), apressou-se o declínio do forró pé-de-serra na mídia. Já o novo estilo de forró é chamado pela crítica especializada de “forró eletrônico” ou “forró estilizado”, devido aos instrumentos musicais eletrônicos adicionados. As bandas são compostas por variados integrantes, entre músicos e bailarinos. O conteúdo das canções possui forte apelo sexual e visual; narra amor, machismo, vulgarização do feminino e valorização ao consumo exagerado do álcool.
O forró eletrônico data de 1993, quando o empresário cearense Emanoel Gurgel lançou a banda Mastruz com Leite, inaugurando a nova estética do forró. O rádio e outros meios de comunicação fizeram a divulgação maciça da nova aposta financeira. Para consolidar seu objetivo, o empresário Gurgel preparou um sistema de rádio que dava sustentáculo à divulgação de seus produtos musicais, a Somzoom Sat (cf. TROTTA, 2009, p.104). Também como gravadora, a Somzoom Sat apresentou ao público inúmeras bandas consagradas hoje, como Limão com Mel, Cavaleiros do Forró e as mais recentes Saia Rodada e Aviões do Forró. Conforme diz Trotta (2009, p. 109), as letras são estreitamente casadas com o perfil sonoro conhecido e padronizado, a sua temática principal gira em torno do trinômio festa, amor e sexo.
Desta forma, a música tem um endereçamento sócio-musical bastante claro: música dançante feita para jovens em festa cantarem seus dilemas sexuais e amorosos. No entanto, para complementar o pensamento de Trotta (2009), acrescentaríamos outra importante temática espontaneamente cantada na música de forró eletrônico: a bebida alcoólica. Deste modo, o eixo de identificação jovem da música seria fundado no quadrinômio festa-álcool-amor-sexo. Dessa forma, as músicas destas bandas têm um foco sócio-musical bem direcionado: as músicas são para serem dançadas e cantadas pelos jovens em festas consumindo a bebida alcoólica e pensando em seus amores e prazeres mundanos.
A performance dos bailarinos e cantores é de grande importância numa banda de forró eletrônico, pois serve para transmitir os sentimentos descritos nas canções, presentes principalmente no forró eletrônico romântico. As temáticas são as mais diversas, como a traição, o homem que tem várias mulheres, o homem e a mulher que ingerem grande quantidade de álcool, desilusões amorosas, abandono do parceiro e demais conflitos amorosos. Quando executadas, essas músicas com conteúdo romântico são acompanhadas por falas, suspiros, gritos e movimentos de conotação sexual. A melodia e o timbre registram o discurso, que geralmente é acompanhado de um teor erótico (cf. TROTTA, 2009, p. 3).
No forró eletrônico, há uma grande quantidade de vocalistas, entre homens e mulheres, que se caracterizam, além da troca constante de figurinos, por interagir com o público. É comum, durante esses shows, os cantores mandarem mensagens para determinadas pessoas, chamá-las pelo nome, fazer algum tipo de piada com quem está na plateia. Outra prática comum durante as apresentações é a leitura dos patrocinadores e a veiculação de merchandising, durante o refrão das músicas, ou passagem de uma música para a outra. É observada grande quantidade de anunciantes, como emissoras de rádio, gravadoras de CD e marcas de roupas e bebidas alcoólicas.



REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

OLIVEIRA, Jean Rodrigues de. O DISCURSO DO ALCOOLISMO NA MÚSICA DE FORRÓ ELETRÔNICO: um estudo à luz da análise do discurso. Monografia (Graduação em Letras) – Departamento de Letras e Artes, UEPB, 2011.


Atividade em classe


1.    Responda as questões que se pede:

a)    Sobre o que trata este texto, ou seja, qual a sua ideia principal?
b)    Qual a explicação mais aceita sobre a origem do termo forró?
c)    O que é o forró tradicional? Quem foi seu maior divulgador? E quais os instrumentos mais utilizados?
d)    Quais as principais temáticas das músicas do forró pé-de-serra?
e)    Segundo o texto, qual o motivo fez o forró pé-de-serra enfraquecer, perder espaço na mídia?

2.    Responda novamente com atenção:

a)    Quando surgiu o forró eletrônico? E por quê?
b)    Por que os estudiosos do assunto chamam “forró eletrônico”?
c)    Quais temas são cantados nas músicas de forró eletrônico?
d)    Quais bandas de forró eletrônico conhecidas o autor cita como exemplo?
e)    Segundo o autor, a quem se direciona as músicas de forró eletrônico? Para quê?




3.    Faça um resumo deste texto. Lembre-se que o resumo é uma paráfrase do texto original, isto é, nos reconta a ideia principal de algum texto, livro ou fato real de forma sucinta e objetiva, sem se prender a detalhes, mas sim naquilo que é fundamental sobre o objeto que se está resumindo. Resumo não é recorte de trechos dos textos que você achar mais “bonito”, e sim contar aquilo que você entendeu com suas próprias palavras. O resumo é bastante cobrado em atividades escolares, acadêmicas e pode também ser cobrado no vestibular. A pessoa que faz o resumo não pode atribuir nenhuma opinião sobre o assunto, pois senão deixar de ser resumo e passa a ser resenha crítica.
a)         Referência bibliográfica: é a fonte de onde pertence o texto. No resumo não tem título, então a fonte suprime esta falta. A referência bibliográfica deve indicar o nome do autor do texto, livro, música, etc; a edição, cidade onde foi publicada e o ano. Se objeto que foi resumido foi retirado da internet, o aluno deve colocar o site como referência bibliográfica Ex: (www.saiarodada.com.br). Qualquer dúvida peça ajuda a um professor de português.
b)        O resumo não tem parágrafo. Inicie o texto falando logo sobre os principais fatos daquela obra tudo de uma vez nas primeiras linhas, depois você retoma cada assunto com um pouco mais de explicação.
c)         Após terminar o resumo deve-se colocar três ou quatro palavras ou expressões-chave sobre o assunto que foi resumido. Essas palavras não podem ser quaisquer uma, e sim palavras que estejam ligadas diretamente com o assunto principal do objeto resumido.

Exemplo de um resumo:

ASSIS, Machado de. Dom Casmurro. - Ed. 47ª – São Paulo: Ática, 2008.

Construído em flashback, o protagonista masculino, Bentinho, já cinquentão e solitário, tenta "atar as duas pontas da vida" (infância e velhice), contando a história de sua vida ao lado de Capitu, a qual acaba tomando conta do romance, dada a sua força e o seu mistério. Dom Casmurro foi publicado em 1900 e é um dos romances mais conhecidos de Machado. Narra em primeira pessoa a estória de Bentinho que, por circunstância várias, vai se fechando em si mesmo e passa a ser conhecido como Dom Casmurro. Sua estória é a seguinte: Órfão de pai, criado com desvelo pela mãe (D. Glória), protegido do mundo pelo círculo doméstico e familiar (tia Justina, tio Cosme, José Dias), Bentinho é destinado à vida sacerdotal, em cumprimento a uma antiga promessa de sua mãe. A vida do seminário, no entanto, não o atrai, já o namoro com Capitu, filha dos vizinhos sim. Apesar de comprometido pela promessa, também D. Glória sofre com a ideia de separar-se do filho único, interno no seminário. Por expediente de José Dias, o agregado da família, Bentinho abandona o seminário e, em seu lugar, ordena-se um escravo. Correm os anos e com eles o amor de Bentinho e Capitu. Entre o namoro e o casamento, Bentinho se forma em Direito e estreita a sua amizade com um ex-colega de seminário, Escobar, que acaba se casando com Sancha, amiga de Capitu. Do casamento de Bentinho e Capitu nasce Ezequiel. Escobar morre e, durante seu enterro, Bentinho julga estranha a forma pela qual Capitu contempla o cadáver. A partir daí, os ciúmes vão aumentando e precipita-se a crise. Á medida que cresce, Ezequiel se torna cada vez mais parecido com Escobar. Bentinho, muito ciumento, chega a planejar o assassinato da esposa e do filho, seguido pelo seu suicídio, mas não tem coragem. A tragédia dilui-se na separação do casal. Capitu viaja com o filho para a Europa, onde morre anos depois. Ezequiel, já moço, volta ao Brasil para visitar o pai, que apenas constata a semelhança entre e antigo colega de seminário. Ezequiel volta a viajar e morre no estrangeiro. Bentinho, cada vez mais fechado em usas dúvidas, passa a ser chamado de casmurro pelos amigos e vizinhos e põe-se a escrever sobre sua vida (o romance).

Palavras-chave: Bentinho, ciúme, Capitu, traição.
Lucas Azevedo. Aluno do 2º ano “médio”
Rio de Janeiro, 13 de junho de 2011



BONS ESTUDOS!

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